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Conto de Natal

 Conto de Natal Natal. Época festiva e alegre. Os povos rejubilam, as pessoas cantam e sorriem. E não há espírito de Natal mais natalício que o Pai Natal. O anafado e bonacheirão velhote de barbas brancas encarna tudo o que o Natal tem de bom: sinos, canções saltitantes, prendas, doces e lautas refeições. Todos os anos salta o velhote lá do Pólo Norte e desce aos lares dos meninos bonzinhos e bem comportados para a distribuição anual do merecido prémio. É o momento da recompensa. Um ano inteiro de sacrifícios a arrumar o quarto, ser simpático para os avós e ter boas notas na escola, para finalmente receber o tão aguardado skate ou casa da Barbie. Mas isso é para os meninos bonzinhos. Os meninos menos bons cuidam que escapam com apenas a ausência de prendas, mas o que eles não sabem nem sequer suspeitam, é que a par da tradição de alegria e recompensa, há outra, mais negra e menos agradável, da qual nem todos ouviram falar. A par da lenda do São Nicolau, há também… A LENDA DA OVELHA...

Sindicato dos Professores Dessindicalizados

ESTATUTOS I 1 - O Sindicato dos Professores Dessindicalizados (doravante referido como SPD) assume-se como associação sem fins não lucrativos ao serviço da classe docente que não se revê nas múltiplas organizações sindicais, para-sindicalizadas, ou agremiações de organizações similares actualmente disponíveis no espectro nacional da oferta de instituições semelhantes. 2 - O SPD referencia-se como como instituição apolítica, assexuada e não-racial, aceitando membros que não tenham credos ou ideologias políticas, sexo ou raça. Assume-se contudo como instituição não laica, na medida em que se afirma de inspiração Bostiana, cujos princípios nortearão a sua actuação. 3 - O SPD, enquanto associação, rejeita o conceito de sócios, os quais não terá em circunstância alguma.  4 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, o SPD aceitará membros, de entre os docentes que comprovadamente não sejam sindicalizados. 5 - Os membros estarão isentos do pagamento de quotas, uma vez que o SPD é, e s...

Bostaluia

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    Já viram bem os telejornais? Já ouviram os noticiários? Consultaram a Internet?  Parece que o mundo está a acabar. Fome no Ruanda, contaminação nuclear em Fukushima, desaparecimento das calotes polares, o preço do barril de crude a subir, incêndios, terramotos, avalanchas, erupções vulcânicas. Racismo, HIV, atentados terroristas, bolhas imobiliárias, tsunamis, homofobia. O mundo está a acabar!    Mas há esperança, senhoras e senhores. Não atirem ainda a toalha, temos ainda vários assaltos pela frente. Mais que esperança, há vida e há certeza. O mundo NÂO vai acabar, irmãos e irmãs.  E como é que eu sei? Sei-o porque há alguém que vela por nós. Há alguém que está no nosso canto, que está em todos os cantos, que está em  toda a parte. Alguém para quem as inundações, os descarrilamentos e a xenofobia não são mais que incómodos passageiros. Alguém através de quem ultrapassaremos a seca mais severa, a doença mais virulenta, o asteróide mais destruidor. ...

Meia noite em ponto

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Era meia-noite em ponto, faltava um quarto para a uma. Um ancião ainda moço Todo nú de mão no bolso Sentado em pé num banco de pau feito de pedra  Lia um jornal sem letras À luz de um candeeiro apagado Que um caracol descia para cima. E nas letras que o jornal não trazia, dizia: "o mundo é uma esfera quadrada que gira parada em torno do sol, e enquanto as pachorrentas vacas voam de galho em galho andam os lindos passarinhos a pastar pelos campos de orvalho..." E lendo isto, a cega analfabeta gritou em surdina: - Prefiro matar-me do que perder a vida.

Aleluia

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  Já viram bem os telejornais? Já ouviram os noticiários? Consultaram a Internet?  Parece que o mundo está a acabar. Fome no Ruanda, contaminação nuclear em Fukushima, desaparecimento das calotes polares, o preço do barril de crude a subir, incêndios, terramotos, avalanchas, erupções vulcânicas. Racismo, HIV, atentados terroristas, bolhas imobiliárias, tsunamis, homofobia. O mundo está a acabar!    Mas há esperança, senhoras e senhores. Não atirem ainda a toalha, temos ainda vários assaltos pela frente. Mais que esperança, há vida e há certeza. O mundo NÂO vai acabar, irmãos e irmãs.  E como é que eu sei? Sei-o porque há alguém que vela por nós. Há alguém que está no nosso canto, que está em todos os cantos, que está em  toda a parte. Alguém para quem as inundações, os descarrilamentos e a xenofobia não são mais que incómodos passageiros. Alguém através de quem ultrapassaremos a seca mais severa, a doença mais virulenta, o asteróide mais destruidor.   ...

Um Café e um Bagaço

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       Cruzaram-se na rua, por acaso, e foram tomar um café. Apenas um café, porque o tempo não dava para mais, sendo dia de trabalho. Apenas um café e dois dedos de conversa de circunstância: o que é que tens feito, há que tempos que não me encontro com o pessoal, devíamos combinar alguma coisa para um fim de semana destes. Um café ao balcão, de pé, que o tempo não dava para mais. Uma bica curta para o Paulo e um café e um copo de água para o Luís. Tudo à pressa, que era dia de trabalho e o tempo não dava para mais.    - Mas tu bebes a água depois do café? É pá, isso deixa um gosto esquisito na boca.    - Não, habituei-me assim, já não passo sem ele.   O Paulo estranhou, mas não insistiu. Contudo, uma senhora que estava sentada numa mesa quase encostada ao balcão acompanhada por um miúdo pequeno, talvez filho, ou neto, ouviu e comentou com o catraio:    - Reparaste, Zezinho? Aquele senhor tomou um café e a seguir bebeu um copo de á...

Inequívoca Justiça

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Da tribuna o juiz expunha as suas dúvidas: - Recapitulando: o queixoso afirma que foi atacado com um objecto contundente por um indivíduo encorpado, de tez macilenta, suíças ruivas, embora fosse calvo, envergando um fato de caqui adornado com lantejoulas. É assim? - É assim exactamente, Sr. Dr. Juiz. - confirmou o queixoso. - E arescenta a transcrição de um depoimento de uma testemunha ocular que não pode estar presente devido à sua pouca idade. Correcto? - Sim, Sr. Dr. Juiz. - confirmou a acusação. E acrescentou: - A testemunha presenciou tudo a partir da janela da sala de aula da sua escola. - Bom, de acordo com este depoimento, o atacante é, cito, "um bacano cool tipo de cap e vans". Não parece corresponder à descrição. - O meu cliente assegura que sim. - Diz a testemunha que em vez de um objecto contundente o homem teria "uma ceninha tipo assim bué de marada". A acusação aproveitou a oportunidade: - Exactamente, Sr. Dr. Juiz. Um objecto perigo...

A lagarta antropófaga

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   Como formigas diligentes enfileiram monocordicamente seguindo o caminho inconscientemente memorizado.    Como um rebanho bem amestrado avançam coordenadamente, todos ao mesmo passo, pelo cais, amontoando-se até se pisarem uns aos outros.     Como um bando de pombos entrando  pelo pombal, invadem a carruagem procurando um lugar sentado, o melhor lugar, à janela, virado para a frente.     Quando o comboio finalmente parte, seguem em silêncio enfronhados nos smartphones, folheando os jornais desportivos ou ouvindo privadamente música, no silêncio dos seus auscultadores, fila após fila de ninguéns, destinados a coisa nenhuma, preenchendo os dias finitos de uma existência pré-determinada pelas suas incumbências e necessidades artificiais.      E contudo...     A rapariga de óculos sentada junto à coxia, que abana imperceptivelmente a cabeça ao som de uma música que só ela ouve, é campeã de ginástica acrobática.   ...

Se a tanto o ajudar o engenho e arte

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   O povo da coruja era orgulhoso. Orgulhoso da sua cultura, da sua civilização. Foi um duro golpe nesse orgulho serem conquistados pelo senhor dos mares. Um golpe dado pelo machado de duas lâminas de Minos, rei de Creta, cujas galeras puseram fim à pirataria de Atenas. Talvez a deusa padroeira tivesse tomado o seu nome da cidade; talvez a cidade tivesse honrado a deusa tomando o seu nome; em qualquer dos casos, o totem da cidade, em que estava representada a ave da sabedoria, como alusão à deusa, fazia parte do espólio que Minos levou consigo para Creta, assegurando assim a vassalagem de Atenas. E isto era um rude golpe no orgulho dos aqueus. Tão rude como a exigência de Minos de 14 jovens de sangue real. Era profissão de risco ser príncipe, nesta altura.    Havia contudo um príncipe de Atenas que não se preocupava com este risco. Era um príncipe artesão, artífice e artista, conceituado e estimado por todos, conhecido pelo seu engenho e artifício, e o seu nome era D...

The hitchhiker's guide to the galaxy

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Tinha uma mala vazia para pôr as recordações que teria.  Um livro de moradas em branco onde anotaria as dos amigos que faria.  Um mapa sem fronteiras, estradas ou nomes dos lugares onde iria.  Aproximou-se da bilheteira  e pediu um bilhete para o comboio. Ia viajar.  Não mencionou o destino. Não tinha.  Não especificou para quando era o bilhete. Não importava. Não planeava ter fome, frio ou cansaço. Consigo levava apenas música. Tocava dentro da sua cabeça.

Possuído

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    Alguma vez vos contei acerca daquela vez em que me transformei num coelho? Não? Não é de estranhar, não é coisa de que me gabe. Pois é, um coelho. Não acreditam? Perguntem ao ouriço cacheiro. Ele viu tudo.     Vinha do trabalho já de noite quando tive um furo. Muito aborrecido. Fiquei sem saber se devia mudar a roda ou chamar a assistência em viagem. Ainda por cima numa estrada deserta, longe de qualquer povoação, e sem iluminação. Enfim, não exactamente sem qualquer iluminação, a lua estava cheia, o luar iluminava claramente a roda do carro. Infelizmente, não a roda que estava furada, essa estava do outro lado, na sombra. Fiquei fora de mim! E foi nessa altura, enquanto estava fora de mim, que o coelho entrou. Assim, sem aviso. Fiquei fora de mim, enquanto o coelho tomava posse de mim. Senti-me deveras estranho, assim acoelhado. E assustado. Os coelhos não são criaturas particularmente corajosas, e numa noite escura, no meio do campo, menos ainda.    N...

Mulherzinhas

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   Num prédio remodelado da zona baixa de Campo de Ourique viviam três amigas. Viviam em três apartamentos diferentes, o que não afectava a sua amizade. Uma era uma flausina, outra era uma sirigaita, e a terceira era uma galdéria. A sirigaita era habitualmente a primeira a chegar a casa. Entrava muito lampeira, verificava o correio e ia muito empertigada enfiar-se no elevador para subir ao primeiro andar, onde residia num t1 remodelado. Como o prédio. Passado um bocado chegava a flausina. Entrava sem cumprimentar a vizinha do rés-do-chão, e dirigia-se do modo mais expedito ao seu apartamento t0 com kitchenette. Remodelado. Umas vezes subia de elevador, outras vezes ia pelas escadas, se aquele não estivesse imediatamente disponível. Morava no primeiro andar, mesmo em frente da sirigaita, mas passava pela porta toda espevitada como se ali não morasse ninguém.     A galdéria chegava mais tarde. Como a sirigaita, verificava o correio, mas tinha o cuidado de pôr a publici...

A Greve Fofinha

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    É vulgar as greves serem focos de tensão e dissenção. É a sua função. São momentos de ruptura. Mas nem todas as greves são iguais.    Foi no Vale do Ave que eclodiu a greve numa fábrica de enchimento de almofadas. Os operários fabris, cansados do trabalho duro que era manusear sumaúma dias a fio, saíram à rua brandindo ursos de peluche e entoando palavras de ordem:     - Almofadas não, que trabalhe o patrão!     - Sumaúma, nem mais uma!    Reunidos os sindicalistas com a entidade patronal, foram trocadas palavras ásperas, quando se mandaram mutuamente lixar, o que provocou a escalada da situação. Os ursos de peluche foram trocados por cãezinhos que abanavam a cabeça e houve até quem usasse unicórnios de peluche.    Por seu lado a Polícia de Choque, convocada pela administração da empresa, fez avançar a sua unidade cinófila. Dezenas de guardas, acompanhados de cachorrinhos labrador e golden retriever, posicionaram-se na linh...

Mais Provas de Aferição.

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Prova de Aferição. Será um novo planeta? Será um título de um livro? Pertencerá à toponímia de alguma província obscura da Guiana Francesa? Ninguém sabe. Durante séculos, esta expressão não fez parte da língua ou cultura ocidentais. Nem das orientais. Não consta da Bíblia, não é referida na Carta dos Direitos dos Animais e a Declaração da Independência dos EUA é omissa a esse respeito. Também em vão a procuraremos no Bhagavad Gita ou I Ching, e debalde vasculharemos as pirâmides Maias ou as sagas nórdicas na esperança de encontrar qualquer referência a seu respeito.  Então porque adquiriu de repente esta expressão uma tal importância que traz pesadelos aos pais das criancinhas, mantém legiões de funcionários públicos em permanente alerta e mobiliza dezenas de funcionários da Casa da Moeda? Centenas de eucaliptos foram abatidos para fornecer as toneladas de papel necessário à sua execução, a indústria de celulose despejou os seus efluentes nos afluentes dos nossos bem am...

Globetrotter

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Tenho problemas de identidade. Esta coisa da globalização dos voos baratos e dos passaportes sem fronteiras, traz grandes complicações. Por causa disso a minha família é global, e por causa disso, semi-disfuncional. Tudo começou quando um tio-avô guatemalteco se apaixonou por uma bela hondurense. Até aqui nada de estranho, mas os meus sobrinhos-avós (ou sobrinhos-netos, não sei bem), nasceram panamianos, por via da profissão do meu tio-avô, que o levava a viajar amiúde. Quando cresceram começaram a ter dificuldade em preencher os formulários em que se inquiria da nacionalidade dos pais e demais família. É que a ascendência da hondurense incluía um natural do Mali, que talvez fosse Maliano ou Maliense, outro do Chade (chadiano, sem dúvida) e um primo afastado natural de Madagáscar e do qual nunca ninguém foi capaz de adivinhar a nacionalidade, Especulou-se que fosse madagasquês, alvitrou-se que seria madagasquense, sugeriu-se que era de facto madagascano, mas à cautela todos se referiam...

Another brick off the wall

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   Nunca fora intelectualmente dotado. Ou talvez nunca se tivesse esforçado. Pelo menos os resultados escolares não foram brilhantes, e como sabemos é por aí que se mede a esperteza de cada um, portanto nunca fora intelectualmente dotado. Evitou as profissões de secretária e acabou pedreiro. Não que talhasse granito ou cortasse mármore; assentava tijolo. Contudo ara um bom assentador de tijolo. Era exímio com a colher de pedreiro, misturava a massa nas proporções exactas e era um ás no uso da bolha de nível e no fio de prumo.    Um dia fez um muro. Não havia muro mais direito, ou com melhores alicerces. Todos os tijolos perfeitamente alinhados, cuidadosamente espaçados com cimento da melhor qualidade, e com o melhor tijolo burro. Era o orgulho e a inveja da vizinhança, porque o muro tinha sido encomendado para dividir duas propriedades. Nada de guerras de partilhas, ou questiúnculas antigas. Apenas dois vizinhos que concordaram em delimitar os respectivas quintais. U...

Telvez a terra seja redonda

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Era impossível. Talvez fosse impossível, ou pelo menos era o que parecia. Jamais resultaria, nunca poderia funcionar, não tinha pernas para andar. E contudo, enquanto estas premissas eram avaliadas, equacionadas, pesadas, funcionou. Talvez funcionasse apenas nos interins. Talvez... Contudo funcionou, até ao dia em que alguém o achou impossível.

O Fado da Desgraçadinha

Andava a desgraçadinha no gamanço, P'ra alimentar os dois filhos tuberculosos... E na calada da noite achava sempre um "tanso" Que lhe enchia os dois rebentos bem gulosos! Ia de porta em porta a pedinchar, Pelo amor da sua Mãezinha dê-me a esmola Que me ajude a viver este meu penar, Porque os coitados já nem podem ir à escola! Ai Jesus, pobre mulher valha-me Deus, Vá pedir a outra porta na vizinhança Porque eu, olhe... até p'ros meus!... Já nem sei o que fazer p'ra lhes encher a pança! Ah pois é!... ladeira abaixo lá ia ela, Porta sim e porta não a desandar!... Á noitinha ela punha-se à janela, A ver a Lua que lhe dava o seu Luar! De graça em graça à luz do dia, A pobre mulher assim viva e altiva era A primeira a colher o que comia, E a fingir que a vida é assim tão "bera" ... Definhava a olhos vistos, só por fora! Porque a Alma de cigana lhe traía, De tanto pedir a Deus, ELE foi-se embora, Pois já nem o Jesus Cristo nela cria!

Cariel,a pequena cerveja

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Cariel era uma pequena cerveja que vivia lá no fundo do bar. Era uma cervejazinha curiosa que vivia rodeada pelas suas seis irmãs, Cristal, Coral, Cergal, Corona, Carlsberg e Coors. De todas, Cariel era a única que pretendia viajar e ver o mundo, mas isso não era fácil, uma vez que a sua posição lá no fundo do bar não lhe permitia grandes viagens. Desde mini que o seu pai, o Rei Trintão, a tinha condenado a uma vida recatada, de confins das prateleiras, lá no fundo do bar, onde a luz nunca chegava. Apesar disso, a pequena cerveja aspirava a outros voos e espreitava a a superfície sempre que podia, de tal modo que o Rei Trintão lhe atribuiu um guarda costas para sempre a vigiar. E nada melhor para vigiar uma pequena cerveja inquisitiva do que uma lagosta, suada de tanto correr atrás dela. Por sorte, uma cervejinha era também bom acompanhamento para uma lagosta, pelo que não era difícil encontrá-las juntas, uma suada e rosada como uma lagosta, outra fresquinha como uma alface. E assim ac...

Notícia do dia

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   Aqui está a notícia do dia. Em grandes parangonas garrafais escarrapachada nos tablóides. Não tenho a certeza, mas sempre achei que as parangonas deviam ser garrafais e aparecer em tablóides. Não concebo uns sem os outros.    Apesar do título apelativo, julgo que o Francisco Pedro poderia ter dito “Adolescente morre em acidente de mota a caminho da escola”. Talvez não desse a impressão que ir à escola é uma actividade perigosa.    “Adolescente de mota morre em Ourém a caminho da escola” é outra possibilidade.    Talvez um género mais clássico: “Morre em Ourém adolescente de mota a caminho da escola”.    “Adolescente de Ourém morre a caminho da escola em acidente de mota”. Aqui o que é perigoso é ser de Ourém.    Talvez algo menos passivo, afinal é uma parangona: “Acidente em Ourém mata adolescente a caminho da escola de mota.”    A partir daqui tornamo-nos modernaços: “Acidente de adolescente mata de mota a caminho...